Cardiopatia Congênita

Entenda a Cardiopatia Congênita

Dr. Renata Favarato Dicas de Saúde

O que é?

A doença cardíaca congênita é uma alteração na estrutura do coração que ocorre enquanto o feto ainda está se desenvolvendo dentro do útero materno. É a alteração congênita mais comum e uma das principais causas de óbito relacionados a malformações congênitas, podendo afetar cerca de 1 em cada 100 crianças, segundo dados da American Heart Association.

Não se sabe ao certo o que causa essas malformações, mas alguns fatores ambientais e genéticos podem aumentar esse risco. São eles:
Alterações genéticas ou cromossômicas na criança, como a síndrome de Down, Síndrome de DiGeorge, Síndrome de Marfan, Síndrome de Noonan, Trissomia 13 e Síndrome de Turner;
Uso de certos medicamentos como anticonvulsivantes, anti-inflamatórios, ácido retinóico, lítio durante a gravidez;
Uso de álcool ou drogas durante a gravidez;
Infecção viral materna, como toxoplasmose rubéola, no primeiro trimestre de gravidez;
Pais ou irmãos com uma alteração cardíaca congênita pode dobrar esse risco;
Mães com diabetes tipo 1 ou tipo 2, hipotireoidismo ou lúpus eritematoso sistêmico;
Idade materna na gestação maior que 35 anos;
Gestação de gêmeos ou múltiplos;
Gravidez por fertilização in vitro.

Quais os sintomas?

As cardiopatias congênitas podem causar sinais e sintomas em qualquer idade, inclusive em adultos. Algumas vezes eles podem nem aparecer!
Sopro cardíaco;
Cianose (coloração azulada da pele);
Falta de ar;
Pneumonias de repetição;
Tosse;
Suor excessivo ou cansaço para mamar;
Irritabilidade no lactente;
Baixo ganho ponderal;
Tonturas ou desmaios;
Inchaço.

Mas como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da cardiopatia congênita pode ser feito na criança, no adulto e até mesmo no feto, antes do nascimento! Além do exame físico, alguns exames podem ajudar no diagnóstico:
Ecocardiograma fetal. Por ser uma alteração na estrutura do coração presente antes mesmo do nascimento, o ecocardiograma pode ser feito ainda na gestação;
Ecocardiograma transtorácico. Avalia a estrutura do coração, seu músculo, suas valvas e sua função;
Eletrocardiograma. Avalia o ritmo do coração, diagnosticando arritmias cardíacas;
Radiografia de tórax. Avalia o coração e os pulmões, órgãos que andam sempre juntos;
Oximetria de pulso. Mede a quantidade de oxigênio no sangue. Na maternidade é conhecida também como o teste do coraçãozinho;
Tomografia ou Ressonância cardíaca. Forneces dados a mais da sobre a estrutura e função cardíaca;
Cateterismo cardíaco. Pode ser usado como diagnóstico ou tratamento de algumas cardiopatias.

Tem tratamento?

Segundo dados da sociedade brasileira de cardiologia no Brasil nascem em torno de 23 mil crianças com problemas cardíacos. Dessas em torno de 80% necessitarão de alguma cirurgia cardíaca durante a sua evolução. Mas tratamento da cardiopatia congênita depende do tipo e da gravidade. Alguns casos curam por conta própria com o tempo, outros podem ser necessário tratamento medicamentoso ou até mesmo cirurgia cardíaca ou cateterismo cardíaco.

A cardiopatia congênita pode ter cura, principalmente se for diagnosticada o mais breve possível, e uma criança pode viver normalmente se tratada adequadamente.

Ecocardiografia Fetal

Durante o primeiro mês de gestação, o coração do feto começa a se formar e já podemos escutá-lo bater. E, por volta do terceiro mês de gestação, ele já se formou completamente, podendo ser avaliado pela ecocardiografia fetal a partir do quinto mês.

O exame é parecido com o ultrassom, mas específico para o coração do feto. É realizado por um médico cardiologista especializado e é por meio dele que se pode confirmar se o bebê tem cardiopatia ou não e qual será a forma de tratamento. Está indicado para todas as gestantes com suspeita de cardiopatia durante o ultrassom morfológico e as consideradas de maior risco:
Tem mais de 35 anos de idade;
Já tiveram filhos ou outros familiares com cardiopatia congênita;
Têm diabetes ou lúpus;
Tiveram doenças como toxoplasmose ou rubéola durante a gestação;
Estão esperando gêmeos ou múltiplos;
Apresentaram alteração nos exames de translucência nucal (ultrassom de 12 semanas), de cariótipo ou foi detectada qualquer anormalidade em outro órgão do bebê.

Autora: Drª. Renata S. Favarato | Cardiologia Pediátrica