Uso de aparelhos de pressão por leigos

Meu aparelho de pressão é confiável?

Dr. Paulo Garcia Dicas de Saúde

Existem 2 principais métodos para conferência de pressão arterial:

  • Técnica auscultatória com uso do medidor de pressão (esfigmomanômetro) de coluna de mercúrio ou aparelho aneróide: método que utiliza o auxilio do estetoscópio e que necessita treinamento para sua realização;
  • Técnica de medidas de oscilações (oscilométrica) com uso de aparelhos semi-automático ou automático digital; que vem cada vez mais ganhando espaço por apresentar fácil manipulação e poder ser utilizado por leigos.

Neste post falaremos um pouco do uso destes aparelhos por leigos.

 

A pressão arterial sofre influência de diversos fatores, tais quais estresse, atividade física ou intelectual, consumo de bebidas alcoólicas ou cigarro, dentre outros; e por este motivo apresenta pequenas ou grandes oscilações constantemente ao longo das 24h.

Atualmente sabe-se que a pressão arterial analisada no consultório médico nem sempre reflete fielmente o comportamento da pressão arterial ao longo do dia e o controle da pressão baseado exclusivamente nas medidas de consultório pode sub-diagnosticar situações como Hipertensão Mascarada (HM) ou a Hipertensão do Avental Branco (HAB), o que possui implicações clínicas importantes na saúde – assunto este que abordaremos mais detalhadamente em outro post.

Estudos recentes mostram uma incidência de 9 a 23% da Hipertensão Mascarada na população geral, sendo maior naqueles indivíduos que apresentam Pressão Arterial Limítrofe nas medidas de consultório. Por este motivo, cada vez mais tem se utilizado técnicas que reproduzam o comportamento circadiano da pressão arterial de cada pessoa, e métodos como a Monitorização Ambulatorial de Pressão Arterial (MAPA 24h) ou a Monitorização Residencial de Pressão Arterial (MRPA) tem ganhado cada vez mais espaço na pratica clínica.

Mas como confiro a pressão?

Neste contexto, entra a “validade” da Automedida de Pressão Arterial (AMPA), realizada pelo próprio paciente por meio do uso de aparelhos digitais. Este controle não pretende substituir, mas complementar o acompanhamento médico, levantando suspeita de HAB ou HM caso as medidas de pressão arterial sejam discordantes das realizadas em consultório médico. Nestes casos, o diagnóstico deve sempre ser comprovado por meio da avaliação médica, podendo ser auxiliado pelos métodos citados acima (MAPA ou MRPA).

Os ajustes de medicação não são recomendados com base apenas nas medidas de AMPA. Existem diversos aparelhos para medidas de PA. Para a escolha do aparelho, a diretriz brasileira de hipertensão recomenda consultar este link.
Os aparelhos que são acoplados ao braço são mais eficazes e precisos que os aparelhos de pulso, portanto mais recomendados. É importante lembrar que todos os aparelhos devem ser validados conforme regras do INMETRO e calibrados no mínimo uma vez por ano, ou caso seja observado grande discrepância comparado com as medidas feitas em consultório.

Para a correta aferição da pressão arterial, o paciente deve certificar-se de que:

• NÃO está com a bexiga cheia;
• NÃO praticou exercícios físicos nos últimos 60 minutos;
• NÃO ingeriu bebidas alcoólicas, café, alimentos ou fumou nos 30 minutos anteriores.

O paciente deve estar sentado de maneira confortável, com as pernas descruzadas, pés apoiados no chão, dorso recostado. O braço de estar na altura do coração, apoiado, com a palma da mão voltada para cima e as roupas não devem estar apertando o membro. Pequenas variações pressóricas em aferições consecutivas são normais e esperadas, e em muitas pessoas a pressão arterial aferida em casa pode ser mais baixa que a verificada na consulta médica, o que não deve gerar preocupação.

“Portanto, os aparelhos digitais possuem utilidade, seu uso pelo paciente deve ser encorajado porém não substitui o acompanhamento médico regular”.

Autor: Dr. Paulo Garcia | Cardiologista

 

Referências:
– VII Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial. Arq Bras Cardiol 2016;
– V DIRETRIZES DE MONITORIZAÇÃO AMBULATORIAL DA PRESSÃO ARTERIAL (MAPA) E III DIRETRIZES DE MONITORIZAÇÃO RESIDENCIAL DA PRESSÃO ARTERIAL (MRPA). Arq Bras Cardiol 2011
– Bryan Williams, MD, Time to Abandon Clinic Blood Pressure for Diagnosis of Hypertension?, Editorial Circulation, 2016, 134: 1808-1811